Sou professora de História e percebo que numa das escolas onde atuo, existe "preconceito infantil" que termo mais estranho, mas é este que quero usar no momento, existe uma aluna da 5° série que está acima do peso, pela idade que tem, os "colegas" sempre arrumam um "APELIDO" engraçado para ela, e a mesma se irrita, converso muito com os alunos no geral, falo com a menina, tento expor o que é certo e o que não é certo; mas as crianças as vezes são cruéis, vem de casa com segundas intenções...Estou preocupada com a situação e tentando fazer a minha parte... Como devemos proceder?
Ler reportagem abaixo:
fonte:http://www.educared.org/educa/index.cfm?pg=revista_educarede.especiais&id_especial=361
Bullying: brincadeiras que ferem
Ameaças, agressões, humilhações... a escola pode se tornar um verdadeiro inferno para crianças que sofrem nas mãos de seus próprios colegas, ainda mais nos dias de hoje, em que a internet pode potencializar os efeitos devastadores do bullying. Você sabe o que é isso? Onde e como ele ocorre?
Por: Rafael ArgemonColaboraram: Beatriz Rizek e José Alves
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Você
já ouviu falar de bullying? O termo em inglês pode causar estranhamento
a muita gente, mas as atitudes agressivas intencionais e repetitivas
que ridicularizam, agridem e humilham pessoas – tão comum entre crianças
e jovens – é muito familiar a todos. A palavra inglesa 'bully'
significa valentão, brigão. Atos
como empurrar, bater, colocar apelidos ofensivos, fazer gestos
ameaçadores, humilhar, rejeitar e até mesmo ameaçar sexualmente um
colega dentro de uma relação desigual de poder, seja por idade,
desenvolvimento físico ou relações com o grupo são classificados como
bullying. O problema pode ocorrer em qualquer ambiente social – em casa,
no clube, no local de trabalho etc –, mas é na escola que se manifesta
com mais freqüência.
O
primeiro a relacionar a palavra ao fenômeno foi Dan Olweus, professor
da Universidade da Noruega. Ao pesquisar as tendências suicidas entre
adolescentes, Olweus descobriu que a maioria desses jovens tinha sofrido
algum tipo de ameaça e que, portanto, bullying era um mal a combater.
O
Bullying é um problema mundial, encontrado em qualquer escola, não se
restringindo a um tipo específico de instituição. Esse 'fenômeno'
começou a ser pesquisado há cerca de dez anos na Europa, quando se
descobriu que ele estava por trás de muitas tentativas de suicídio entre
adolescentes. Geralmente os pais e a escola não davam muita atenção
para o fato, que acreditavam não passava de uma ofensa boba demais para
ter maiores conseqüências. No entanto, por não encontrar apoio em casa, o
jovem recorria a uma medida desesperada. E no Brasil a situação não é
diferente.
"O
bullying é praticado em 100% das escolas de todo o mundo. Na maioria
das vezes, ele é visto como brincadeira própria do amadurecimento da
criança. Mas é devido a essa interpretação equivocada que a prática vem
se alastrando cada vez mais. Por outro lado, não devemos generalizar e
creditar ao bullying todas as situações que ocorrem dentro e fora da
escola, ou de forma virtual. Primeiramente, temos que conhecer o
fenômeno e saber diferenciá-lo das brincadeiras próprias da idade",
explica a professora Cleo Fante, autora dos livros "Bullying Escolar" e
"Bullying e Desrespeito: Como Acabar com Essa Cultura na Escola" (ambos
da Editora Artmed), que desde desde 2000 vem pesquisando a questão da
violência nas escolas, dedicando-se especialmente ao estudo do fenômeno
bullying.
Segundo
Cleo Fante, o fenômeno vem crescendo em todo o mundo. Em 2000, a média
mundial era de 7% a 24% de envolvidos. Hoje, a média é de 5% a 35%. No
Brasil os índices são elevados. No estudo, feito com um grupo de 2000
alunos, na região de São José do Rio Preto, interior de São Paulo,
descobriu-se que 49% estavam envolvidos em casos de bullying. Desses,
22% foram considerados vítimas, 15% agressores e 12% vítimas agressoras
(aquelas que reproduzem os maus-tratos recebidos). "Caso as escolas não
adotem medidas preventivas, o fenômeno pode expandir cada vez mais. Isso
se justifica pelo fato de que muitas vítimas reproduzem os maus-tratos
sofridos. Muitos agressores também acabam se tornando vítimas, num ciclo
vicioso de vitimização", afirma Cleo Fante.
Quem
já não teve um apelido ofensivo na escola? Ou mesmo sofreu na mão de um
grupo de colegas que o transformava em 'bode espiatório' de
brincadeiras no colégio? Exemplos não faltam. Entre alguns deles está o
da gaúcha Daniele Vuoto, que conta toda a sua história em um blog
onde também discute sobre o assunto e troca experiências com outras
vítimas desse tipo de agressão, psicológica, física e até de assédio
sexual.
"O
aluno alvo de bullying se culpa muito pelo que acontece, e é preciso
esclarecer isso: um aluno que agride outro, na verdade, também precisa
de ajuda, pois está diminuindo o outro para se sentir melhor, e
certamente não é feliz com isso, por mais de demonstre o contrário. A
turma entra na onda por medo, não por concordar. Enxergar a situação
dessa forma pode ajudar muito", conta Daniele.
Porém,
a realidade de vítimas que 'sofrem em silêncio', como Daniele explica
em seu blog, está mudando. Além de atitudes como a da estudante, em que
pessoas utilizam a internet para procurar ajuda e trocar experiências, o
assunto vêm ganhando corpo e se tornando pauta de veículos de
comunicação de massa, a exemplo das matérias veiculadas no Jornal Nacional, da Rede Globo, e em discussões como a realizada no programa Happy Hour, do canal a cabo GNT.
O papel das escolas
Atualmente,
diversas pesquisas e programas de intervenção anti-bullying vêm se
desenvolvendo na Europa e na América do Norte. Um projeto internacional
europeu, intitulado Training and Mobility of Research (TMR) Network Project: Nature and Prevention of Bullying,
mantido pela Comissão Européia, teve a sua conclusão em 2001 e engloba
campanhas do Reino Unido, Portugal, Itália, Alemanha, Grécia e Espanha.
Diversas
discussões com os representantes das escolas participantes no programa
foram desenvolvidas para obtenção de alguns princípios básicos na
política de intervenção, e estabeleceu-se que, em cada unidade de ensino
seria criado um Conselho formado por representantes da comunidade
escolar, capaz de definir e priorizar as ações de acordo com os
contextos sociais e políticos locais, buscando-se, assim, as soluções
mais factíveis para a resolução dos problemas relacionados ao bullying.
No
Brasil, o bullying ainda é pouco pesquisado, comentado e estudado,
motivo pelo qual não temos indicadores que nos forneçam uma visão global
para que possamos compará-lo aos demais países, a não ser dados de
alguns estudos. Em levantamento
realizado pela professora Ione da Silva Cunha Nogueira (2003) das teses
e dissertações sobre o tema “escola e violência” nos programas de
Pós-Graduação em Educação da Unesp/Araraquara, abrangendo o período de
1990 a 2000, a autora menciona que, dos trinta e seis trabalhos
encontrados nesse período, nenhuma das pesquisas teve como alvo
principal o bullying escolar, e sim a violência no ambiente escolar.
Embora
as pesquisas ainda sejam modestas, já existem algumas medidas práticas
sendo adotadas no país. Entre os dias 28 e 29 de março deste ano, por
exemplo, a cidade de João Pessoa, na Paraíba, sediou o I Seminário
Paraibano sobre Bullying Escolar. Organizado pela Promotoria de Justiça
da Infância e da Adolescência da Paraíba, em parceria com os governos
municipal e estadual e o apoio de instituições privadas, o evento teve
como objetivo, além de debater o assunto, orientar profissionais da
Educação e do Judiciário sobre como lidar com esse problema. A
Promotoria de Justiça elaborou um requerimento para acrescentar os casos
de bullying ao Disque 100, número nacional criado para denunciar crimes
contra a criança e ao adolescente. O documento foi enviado para o
Ministério da Justiça e à Secretaria Especial de Direitos Humanos.
Além disso já existe um projeto de lei,
de 2007, que autoriza o Poder Executivo a instituir o Programa de
Combate ao Bullying, de ação interdisciplinar e de participação
comunitária, nas escolas públicas e privadasdo Estado de São Paulo.
Aos diretores, coordenadores e diretores das escolas*
Dicas para reduzir o Bullying dentro das escolas:
*Fonte: Associação Brasileira Multiprofissional de Proteção a Infância e a Adolescência (ABRAPIA).
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Ciberbullying - perigo anônimo
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Hostilidades
sempre existiram no ambiente escolar, mas elas se potencializam na rede
mundial de computadores, diante da facilidade atual de criar páginas e
comunidades na internet. Para humilhar colegas de escola, os meios
utilizados vão desde e-mails e mensagens de celular, passando por
fotografias digitais e montagens degradantes, a blogs com mensagens
ofensivas. Os ataques também tomam forma em vídeos humilhantes e ofensas
em salas de bate-papo.
"No
mundo real, a agressão tem começo, meio e fim. Na internet, ela não
acaba, fica aquele fantasma", compara Rodrigo Nejm, psicólogo e diretor
de prevenção da SaferNet Brasil, ONG cujo foco é desenvolver trabalhos
contra a pornografia infantil na web. O
resultado preliminar de uma enquete sobre segurança na internet
realizada no site da ONG assusta: 46% de 510 crianças e adolescentes que
responderam ao questionário afirmam que foram vítimas de agressões pela
internet ao menos uma vez; 34,8% dizem que foram agredidos mais de duas
vezes.
"A
forma virtual é mais fácil de ser empregada do que as demais (física,
verbal, sexual, material, psicológica), pois basta um toque na tecla
'enviar' para que os ataques se tornem reais. Tudo pode ser feito de
forma anônima", explica Cleo Fante. Na escola, a identificação é mais
fácil. Dependendo do grau de intensidade, as conseqüências podem incidir
na saúde física, mental e na aprendizagem. Na Inglaterra, essa forma de
praticar bullying foi responsável pelo suicídio de alguns adolescentes.
E nesta categoria de bullying, não só os colegas da escola são vítimas,
mas também professores, coordenadores e diretores de escolas. "Qualquer
um de nós pode se tornar vítima de ataques virtuais e se deparar com
fotografias montadas, piadinhas, comentários sexistas ou racistas sobre
nossa própria intimidade", afirma Cleo Fante.
Segundo um estudo inglês
encomendado pela Secretaria da Educação da Inglaterra, a popularização
de equipamentos eletrônicos e o acesso à web agravou os casos de
bullyng. Na
pesquisa, 70% das crianças entre 12 e 15 anos afirmam já terem sido
vítimas de ciberbullyng, que pode ser a publicação de foto montagens na
internet, a divulgação de vídeos da criança sendo ofendida ou agredida
por colegas entre outras formas de constrangimento.
No
texto, os pesquisadores afirmam que o bullyng é registrado em diversos
países e culturas e pode gerar distúrbios graves nas crianças vítimas
deste tipo de assédio. Entre as conseqüências estão o isolamento da
criança, a piora no seu nível de aprendizado e a formação de pessoas
violentas. O
estudo sugere uma ação mais ativa por parte das instituições de ensino
para identificar e punir alunos que agridem colegas e sugere que o tema
seja discutido em sala de aula, a fim de gerar uma cultura contra o
bullying.
Algumas instituições
brasileiras de ensino já têm tomado providências práticas para coibir o
bullying. Na Escola Estadual Professor Walfredo Arantes Caldas, de São
Paulo, alguns professores montaram um blog que informa e discute o problema com seus alunos.
Soluções
De
acordo com Daniele, o primeiro passo é que a vítima precisa compreender
que ser alvo dessa violência não é motivo de vergonha. Perceber que o
silêncio não resolve nada e pedir ajuda. Contar para os pais ou alguém
de confiança, além da direção da escola.
"Fazer
cursos fora do colégio, atividades com outras pessoas, até cuidar de um
bichinho, são coisas simples que ajudam a recuperar a auto-estima.
Quanto mais ler sobre o assunto, melhor. Aí aos poucos o aluno vê que
não tem culpa do que acontece, e que quem o agride também precisa de
ajuda, afinal, agredir outro para se sentir melhor não é algo saudável",
acredita.
A
discussão também é vista por Cleo Fante como parte da solução do
problema. Segundo ela, mesmo a escola não sendo muitas vezes o palco
direto dessa forma de ataque, é um espaço que favorece a continuidade
dos maus-tratos. Nesse sentido, ela recomenda que especialistas no
assunto discutam com os profissionais da escola e com os alunos,
encontrando maneiras de prevenir o bullying em suas diversas formas, com
o objetivo de melhorar a qualidade das relações pessoais e de ensino.
Be-a-Bá do bullying*
O que é:
Bullying
é um conjunto de comportamentos agressivos, intencionais e repetitivos
que são adotados por um ou mais alunos contra outros colegas, sem
motivação evidente. Em princípio, pode parecer uma simples brincadeira,
mas não deve ser visto desta forma. A agressão moral, verbal e até
corporal sofrida pelos alunos provoca dor, angústia e sofrimento na
vítima da "brincadeira", que pode entrar em depressão.![]() |
- Físico (bater, chutar, beliscar).
- Verbal (apelidar, xingar, zoar).
- Moral (difamar, caluniar, discriminar).
- Sexual (abusar, assediar, insinuar).
- Psicológico (intimidar, ameaçar, perseguir).
- Material (furtar, roubar, destroçar pertences).
- Virtual (zoar, discriminar, difamar, por meio da internet e celular).
- Sinais de que seu filho é vítima bullying
- Apresenta com freqüência desculpas para faltar às aulas ou indisposições como dores de cabeça, de estômago, diarréias, vômitos antes de ir à escola.
- Pede para mudar de sala ou de escola, sem apresentar movitos convincentes
- Apresenta desmotivação com os estudos, queda do rendimento escolar e dificuldades de concentração e aprendizagem.
- Volta da escola irritado ou triste, machucado, com as roupas ou materiais sujos ou danificados.
- Apresenta aspecto contrariado, deprimido, aflito, ou tem medo de voltar sozinho da escola.
- Possui dificuldades de relacionar-se com os colegas e fazer amizades.
- Vive isolado em seu mundo e não querer contato com outras pessoas que não façam parte da família.
O que fazer se o seu filho é vítima
- Observe qualquer mudança no comportamento.
- Estimule para que fale sobre o seu dia-a-dia na escola.
- Não culpe a criança pela vitimização sofrida.
- Transforme o seu lar num local de refúgio e segurança.
- Ajude a criança a expressar-se com segurança e confiança.
- Valorize os aspectos positivos da criança e converse sobre suas dificuldades pessoais e escolares.
- Procure ajuda psicológica e de profissionais especializados.
- Sinais de que seu filho pratica bullying.
- Apresenta distanciamento e falta de adaptação aos objetivos escolares.
- Volta da escola com ar de superioridade, exteriorizando ou tentando impor sua autoridade sobre alguém.
- Apresenta aspecto e/ou atitudes irritadiças, mostrando-se intolerante frente a qualquer situação ou aos diferentes aspectos das pessoas.
- Costuma resolver seus problemas, valendo-se da sua força física e/ou psicológica.
- Apresenta atitude hostil, desafiante e agressiva com os irmãos e pais, podendo chegar a ponto de atemorizá-los sem levar em conta a idade ou a diferença de força física.
- Porta objetos ou dinheiro sem justificar sua origem.
- Apresenta habilidades em sair-se de "situações difíceis".
O que fazer se o seu filho pratica bullying
- Observe atentamente o comportamento e os sentimentos expressos pela criança.
- Mantenha tranqüilidade e calma. Converse, objetivando encontrar os motivos que o levam a agir desta maneira.
- Reflita sobre o modelo educativo que você está oferecendo ao seu filho.
- Evite bater ou aplicar castigos demasiadamente severos. Isso só poderá promover raiva e ressentimentos. Procure profissionais que possam auxiliá-lo a lidar com esse tipo de comportamento.
- Dê segurança e amor.
- Incentive a mudança de atitudes. Um bom começo é pedir desculpas e deixar a vítima em paz.
- Não ignore o fato ou ache desculpas para as suas atitudes. Lembre-se que com o tempo esse comportamento pode conduzir a uma vida delituosa e infeliz.
- Procure a direção da escola ou ajuda de um conselho tutelar.
- Participe de projetos solidários propostos pela escola e incentive seu filho a participar.



